publicações em revistas & alguns poemas

________PUBLICAÇÕES EM REVISTAS_________

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_______________ALGUNS POEMAS_____________

CARREGO COMIGO

Carrego comigo

, além do peso inevitável da morte

, a incoerência de fazer poemas

– não se sabe para quê ou para quem –

entregues à própria sorte.

 

Carrego comigo

uma tristeza infinda

como quase um abrigo em ruínas

(único lugar disponível para a autoflagelação do íntimo).

 

Enquanto passeio pelos enganos perecíveis

, as lagartas cumprem o seu papel

independentemente dos inseticidas…

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[SEM TÍTULO]

Romper a

artéria do segundo

dilacerando a

anestésica sinestesia do Qorpo

calcário em decomposição.

 

O olho em direção ao susto

dilata a pupila já exausta

em transe.

 

Gotículas de medo

evaporam-se a cada movimento

monossilábico da tensão

no abrirfechar das narinas.

 

O hiato alaga o ato

infindável em repouso contínuo.

 

Um pestanejar repentino

quebra a estaticidade da matéria

– reinício do face a face…

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MEUS OLHOS ÁCIDOS NÃO MENTEM

Meus olhos ácidos não mentem.

As flores sempre perdem

a força bruta da beleza.

 

A suavidade agridoce

, nas coisas

, há tempos me abandonou.

Agora sou

fruto da escassez

, ciente dos experimentos ocres

das ilusões.

 

Meus olhos ácidos não mentem.

Nossas vozes distantes

impregnam o ar de lamurialâminas.

 

A volúvel geometria

, das coisas

, já não perpassa meu olhar alquímico.

Agora sou

caçador de mitos

, desfibrando o inaudível dos abismos…

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O CICLO DO VENTO AO CONTEMPLAR AS ESTAÇÕES

I

Cíclico é o distanciamento

entre marés, sereias e marinheiros

: o encantamento com a imensidão

do nunca atingido.

 

II

Cíclico é aproximar-se

do precipício; sentir o hospício

no sal do venerado cio do instinto

: propulsão do corpo em direção ao vício.

 

III

Cíclico é abster-se de si

dentro de si na frieza dos dias quentes

sem aparentes desastres

: frágeis limitações do ser.

 

IV

Cíclico é o além do inabitável sopro do vento

: quando as folhas caem…

Restam outonais abismos

ou silenciosos sussurros

que nos (a)traem?

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NA MADRUGADA QUE SE ACENDE

Na madrugada que se acende

répteis & anfíbios dançam nas paredes

ao som de galos e pássaros indecisos.

 

O riso triunfal do imprevisto

é a fruição dos interstícios

, vícios

, ardências

, querências

, alívios…

 

(Tudo é sonho nesta vida

servida em bandejas)

 

(A angústia dos passos

desafina o canto das sereias)

 

Passo os arrastados dias entre obscenas medusas

com suas risadas de hiena

sem sentido algum…

 

(Sou um decifrador de ausências)

 

Na madrugada que se acende

a volúpia não me conforta.

Preciso, vaidoso, lamber o tempo da morte

; triturar a realidade com os dentes do exílio.

 

(Os códigos impressos nos rostos

são rastros.  Astros que guiam corpos)

 

Meu corpo flutuando sobre Jonestown

deseja

ser alvejado por um dardo de cianeto

– a paralisia cristalizada dos sentidos…

 

Na madrugada que se acende

a navalha nos passos

atravessa o enigma do encontro.

Encontro com o acaso.

Encontro com o que passa.

Encontro com o absoluto…

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